Pular para o conteúdo principal

Dr. Ítalo Simões

Intestino e cólon · Guia completo

Doença diverticular do cólon: diverticulose, diverticulite e quando operar

Diverticulose, diverticulite, doença diverticular: os nomes confundem. Entenda o que cada um significa, como tratar uma crise e em quais situações a cirurgia é recomendada.

Dr. Ítalo Simões, cirurgião do aparelho digestivo
Conteúdo escrito e revisado por Dr. Ítalo Simões
Cirurgião do Aparelho Digestivo · CRM-SP 202.538 · RQE 124.881 · Atualizado em setembro de 2026
Resposta rápida

Divertículos são pequenas bolsas que se formam na parede do intestino grosso, principalmente no cólon sigmoide. Ter divertículos (diverticulose) é muito comum com o avançar da idade e, na maioria das vezes, não causa sintomas. Quando um divertículo inflama, ocorre a diverticulite, que provoca dor no lado esquerdo e inferior da barriga, podendo haver febre. Crises leves costumam ser tratadas sem cirurgia; a operação (retirada do segmento doente, por vídeo ou robótica) é indicada em complicações ou crises recorrentes que prejudicam a qualidade de vida.

Entendendo o diagnóstico

Diverticulose, diverticulite e doença diverticular: qual a diferença?

Mais comum

Diverticulose

Presença de divertículos, sem inflamação. Geralmente descoberta em colonoscopia ou tomografia e sem sintomas.

Sintomática

Doença diverticular

Divertículos associados a sintomas, como dor e alteração do hábito intestinal, sem infecção ativa.

Inflamação

Diverticulite

Inflamação ou infecção de um divertículo. Pode ser simples ou complicada, com abscesso, perfuração ou fístula.

A diverticulose aumenta com a idade e está associada a dieta pobre em fibras, sedentarismo, obesidade e tabagismo. No Ocidente, o cólon sigmoide — porção final do intestino grosso, do lado esquerdo — é o local mais acometido.

Sinais e sintomas

Quais são os sintomas da diverticulite?

  • Dor na parte inferior esquerda do abdome, contínua, que piora com o tempo;
  • Febre, calafrios e mal-estar;
  • Náuseas, perda de apetite, prisão de ventre ou diarreia;
  • Sensibilidade ao tocar a região.

Procure atendimento de urgência se tiver dor abdominal intensa ou que se espalha pela barriga, febre alta, vômitos, sangramento importante pelo ânus, saída de gases ou fezes pela urina ou pela vagina. Podem ser sinais de diverticulite complicada.

Exames

Como é feito o diagnóstico?

Na suspeita de diverticulite, a tomografia computadorizada de abdome é o exame de escolha: confirma o diagnóstico, avalia a gravidade e identifica complicações, como abscessos. Exames de sangue ajudam a medir a inflamação.

Após a melhora de uma crise, a colonoscopia costuma ser indicada — geralmente após algumas semanas — para avaliar o intestino e afastar outras doenças, como pólipos e câncer, especialmente se não houver exame recente.

Avaliação especializada

Teve uma crise de diverticulite?

Avaliamos seus exames e seu histórico para definir o melhor acompanhamento e se há indicação de cirurgia minimamente invasiva.

Tratamento clínico

Como tratar a diverticulite?

TipoTratamento habitual
Não complicada, leveTratamento ambulatorial com dieta leve, analgesia e acompanhamento; antibióticos em casos selecionados.
Com abscessoInternação, antibióticos endovenosos e, se necessário, drenagem guiada por imagem.
Perfuração com peritoniteCirurgia de urgência.

Depois da crise, uma alimentação rica em fibras, boa hidratação, atividade física e controle do peso ajudam a reduzir novas crises. Não é necessário evitar sementes, milho ou castanhas, como se acreditava no passado.

Tigela de salada com legumes e vegetais ricos em fibras, aliados na prevenção da diverticulite
Alimentação rica em fibras ajuda a prevenir novas crises. Foto: Anna Pelzer / Unsplash
Indicação cirúrgica

Quando a diverticulite precisa de cirurgia?

A decisão de operar deixou de se basear apenas no número de crises. Hoje ela é individualizada e considera principalmente:

  • Diverticulite complicada (abscesso, perfuração, fístula ou estreitamento do intestino);
  • Crises recorrentes ou sintomas persistentes que comprometem a qualidade de vida;
  • Pacientes imunossuprimidos, como transplantados;
  • Impossibilidade de excluir câncer no segmento acometido.

A cirurgia eletiva é a colectomia (geralmente retossigmoidectomia): retirada do trecho doente e reconexão do intestino. Realizada por videolaparoscopia ou cirurgia robótica, costuma proporcionar menos dor e recuperação mais rápida. Em cirurgias de urgência, pode ser necessária uma colostomia temporária.

Com quem tratar

Quem trata diverticulite?

Crises leves podem ser conduzidas pelo clínico ou gastroenterologista. A avaliação da indicação cirúrgica e a realização da colectomia por vídeo ou robótica são feitas pelo cirurgião do aparelho digestivo ou coloproctologista.

Dr. Ítalo Simões, cirurgião do aparelho digestivo em São Paulo
Sobre o autor

Dr. Ítalo Simões

Cirurgião do Aparelho Digestivo · CRM-SP 202.538 · RQE 124.881
  • Residência em Cirurgia Geral e Cirurgia do Aparelho Digestivo no Hospital das Clínicas da FMUSP
  • Médico colaborador do Serviço de Pâncreas e Vias Biliares do HC-FMUSP
  • Estágio em cirurgia do pâncreas no National Center for Tumor Diseases, Heidelberg (Alemanha)
  • Membro titular do CBCD e membro da IHPBA / AHPBA
Atua nos hospitais Sírio-Libanês, Albert Einstein, Vila Nova Star, Alemão Oswaldo Cruz, Beneficência Portuguesa, Nove de Julho e Santa Catarina.
Dúvidas comuns

Perguntas frequentes sobre diverticulite

Diverticulose precisa de tratamento?

Na maioria das vezes, não. Sem sintomas, a recomendação é manter alimentação rica em fibras, boa hidratação e hábitos saudáveis.

Diverticulite vira câncer?

Não. A diverticulite não se transforma em câncer, mas alguns sintomas podem ser parecidos. Por isso a colonoscopia costuma ser indicada após a crise.

Posso comer sementes e castanhas?

Sim. Estudos não mostraram aumento de crises com sementes, milho, pipoca ou castanhas. Uma dieta rica em fibras é recomendada.

Toda diverticulite precisa de antibiótico?

Não. Em crises leves e não complicadas, em pacientes selecionados sem sinais de gravidade, o tratamento pode ser feito sem antibiótico, sempre com acompanhamento médico.

Depois de quantas crises devo operar?

Não existe um número fixo. A indicação depende da gravidade das crises, das complicações, do impacto na qualidade de vida e das condições de saúde de cada paciente.

A cirurgia de diverticulite deixa bolsa de colostomia?

Na cirurgia eletiva, na grande maioria dos casos, o intestino é reconectado na mesma operação, sem colostomia. Em urgências graves pode ser necessária uma colostomia temporária.

Consultório em São Paulo

Agende sua consulta com o Dr. Ítalo Simões

Avaliação especializada de doença diverticular e diverticulite, com cirurgia por vídeo ou robótica quando indicada.

Av. Angélica, 2491 · 9º andar · Bela Vista · São Paulo@italosimoesgastrocirurgia
Continue lendo

Artigos relacionados

Referência: Schultz JK, et al. European Society of Coloproctology: guidelines for the management of diverticular disease of the colon. Colorectal Disease, 2020. Hall J, et al. The American Society of Colon and Rectal Surgeons Clinical Practice Guidelines for the Management of Left-sided Colonic Diverticulitis. Diseases of the Colon & Rectum, 2020.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. A indicação de exames e tratamentos é sempre individual.